Lula no SUS

Ao pessoal que aderiu à campanha "Lula no SUS":

(a) se você defendeu o mesmo para políticos "com cara de rico" como Mário Covas ou Ruth Cardoso (na época em que estavam doentes; não vale em retrospecto):

Há duas maneiras de pensar sobre o sistema público de saúde: como rede de segurança para os mais pobres e como sistema universal, onde os ricos também se tratam (como na Escandinávia). Se você defende a primeira visão, não faz sentido esperar que Lula, que tem uma boa aposentadoria como presidente, deixe de usar o sistema privado. A propósito, há defensores do igualitarismo que defendem a existência, ao lado de um bom sistema público, de um sistema privado de saúde, em que os ricos acabam por financiar, testar e aperfeiçoar tratamentos de ponta.

Se você defende a segunda visão, lembre do seguinte: da última vez que eu chequei, a alíquota máxima do imposto de renda na Suécia era o dobro da alíquota máxima brasileira. Você topa pagar mais imposto para sustentar um SUS em que mesmo o ex-presidente pense em se tratar (ou um sistema educacional em que ele pense em matricular o filho, etc.)? Se a resposta for sim, você é mais petista do que você pensa (saudações, companheiro!). Se a resposta for não, para de dar idéia.

(b) se você só teve a idéia de pedir internação no SUS quando foi a vez de um político de origem pobre que, sejamos honestos, você sempre achou que precisava reaprender qual era o seu lugar:

Você é um merda que ouviu falar que rico não vota no Lula, e passou a xingar o Lula pra ver se vira rico, parece rico, ou pelo menos é incluído na lista de spam de powerpoint dos ricos. Note que mesmo os colunistas conservadores da grande imprensa se abstiveram de usar o câncer do Lula para fazer discurso, o que faz da sua adesão à campanha uma indelével tatuagem "sou café-com-leite em discussão política, vou sentar na mesa das crianças". 

Enfim, cada um se diverte como pode.

Sem mais para o momento,

Celso

 

Laerte e o Casamento Gay

Laerte, para dar uma aliviada no empobrecimento dos debates brasileiros. A propósito: aborto é mesmo uma questão delicada, mas casamento gay não é. Em um caso é a dúvida sobre a definição mesma de ser humano, no outro não resta dúvida de que só os voluntariamente envolvidos são afetados. E ainda vai gerar emprego na indústria de bonequinho de bolo. Nisso ninguém pensa. Malditos.